Novamente, Oscar Peterson

Oscar Peterson
Publicado em: Jornal do Brasil
Data: 08/08/1979

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:CADERNO B  – JORNAL DO BRASIL 

Rio de Janeiro, quarta•feira, 8 de agosto de 1979

NOVAMENTE, OSCAR PETERSON 

Parece que Oscar Peterson passa a maior parte do seu tempo nos estúdios de gravação. Sua extensa discografia o situa como o recordista entre os jazzmen. Tracks, o segundo disco de piano solo de sua carreira, é outra reedição MPS pela Gravadora Copacabana. É fora de questão a qualidade da obra de OP. Apesar da prolífica atividade, a consistência e regularidade de sua execução, inspiração e inventiva merecem o respeito e admiração unânimes. Tracks ocupa lugar de amplo destaque em sua discografia; gravado em novembro de 1970, coloca em evidência sua técnica praticamente insuperável. Digitação. de clareza absoluta, bom gosto, escolha adequada dos andamentos para cada interpretação e uma mente vertiginosamente rápida que proporciona tocar com igual rapidez qualquer idéia que imagine são predicados que Peterson coloca a serviço de sua execução e imaginação. Parece não haver nada que ele não possa tocar no piano. A força da sua mão esquerda — totalmente independente da direita, assume uma função específica e essencial mantendo o tempo interior e o ritmo, além de complementar as linhas improvisadas — assegura a propulsão e o acompanhamento para solos modelares. Todos os solos são ornamentados por execução impecável que a qualidade técnica da engenharia de som realça ainda mais. Oscar é capaz de contar história do piano no jazz em um único solo; freqüentemente insere passagens de stride-piano que revelam seu respeito pela tradição. 

O belíssimo Django é tratado com a delicadeza que a composição exige. Ja Da é um exemplo expressivo da mente de OP pela forma como toca seus arabescos musicais. A Child is Bom, de Thad Jones, é uma das composições mais lindas dos últimos anos, valorizada pela sensibilidade do pianista. Give me the Simple Life é um extraordinário tour de force que desmente qualquer restrição eventualmente feita a Peterson. Os dois minutos e 40 segundos de A Little Jazz Exerci, como afirmou o crítico Alun Morgan, são suficientes para os estudantes de piano concentrarem-se durante semanas em sua análise. Nada mais a acrescentar. 

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Será editado este mês, pela WEA, o disco de Joni Mitchell dedicado a Charles Minguo, com quatro composições do famoso músico, incluindo uma versão de Goodbye Pork Pie Hat e o bines The Dry Cleanear From Des Moines. que a cantora interpreta à maneira de Annie Ross. A voz de Mingus está perpetuada em curtos diálogos e o supporting cast é formado por jazzmen de primeira categoria. Quatro pinturas da própria Joni Michell ornamentam a edição. 

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Já nas lojas mais seis volumes da Capitol Jazz Classics – Swung Series — dedicado às orquestras de Glen Gray, Van Alexander, Barry James, Billy May, Les Brown e Benny Goodman, uma panorámica de suas contribuições para a divulgação da música norte-americana

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Victor Assis Brasil está gravando seu novo LP para a EMI Odeon com Jota Moraes (piano e vibrafone), Paulo Russo (contrabaixo) e Ted Moore (bateria). Possivelmente duas faixas serão em dueto de Victor com Jota Moraes. 

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Confirmada para março do próximo ano a primeira temporada da orquestra de Count Basie no Brasil. No Rio de Janeiro deverão ser realizados três concertos. 

José Domingos Raffaelli

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