VICTOR ASSIS BRASIL Quinteto
VICTOR ASSIS BRASIL é carioca, nascido em 28 de Agosto de 1945. Foi atraído pela música sem nenhuma influência especial. Seus primeiros instrumentos foram a gaita-de-boca e a bateria, que ganhou de presente aos 12 anos de idade; no início, copiava na gaita os solos de saxofonistas e trompetistas das gravações de jazz que possuía. Aos 17 anos sua tia deu-lhe um saxofone alto e um mundo novo abriu-se à sua frente. O sax foi uma extensão do jazz que ouvia e praticava, um instrumento de maiores recursos e compatível às suas aspirações musicais.
Frequentou o famoso Beco das Garrafas, tocando, dando "canjas" e participando das jam sessions dominicais do "Little Club", onde conheceu músicos de renome entre nós. Também apresentou-se em inúmeros shows de estudantes em auditórios de colégios cariocas. Na década de 60 era prática comum a realização de jam sessions em festas familiares; Victor participou de um sem número delas, que foram importantes no seu desenvolvimento de improvisador.
Em 1965 tocou na inauguração do "Clube de Jazz e Bossa", tornando-se figura obrigatória em suas atividades. Em janeiro de 1966 gravou seu primeiro LP — "Desenhos" — hoje uma peça de colecionadores. Nesse mesmo ano foi convidado a participar do Concurso Internacional de Viena, patrocinado pelo pianista Friedrich Gulda, obtendo o 3º prêmio na categoria dos saxofonistas. Ficou quase um ano na capital austríaca. Venceu um concurso como melhor solista do Festival de Jazz de Berlim, recebendo um troféu pelo triunfo.
Com esses lauréis, retorna ao Brasil, ganha alguma publicidade na imprensa pela repercussão de sua atuação na Europa e decide profissionalizar-se definitivamente, vislumbrando possibilidades de tocar jazz. Em 1967 e 1968 apresentou-se continuamente com quartetos e quintetos nos teatros, clubes e universidades do Rio de Janeiro, estendendo suas atuações a outras capitais brasileiras. Ainda em 68 grava o disco "Trajeto", outra raridade nos dias atuais. Ganha maior divulgação no noticiário jornalístico e toca em shows de televisão.
Em 1969 ganhou uma bolsa de estudos para a famosa "Berklee School of Music", onde permaneceu cinco anos, teve oportunidade de escrever arranjos de suas composições para todo tipo de formações orquestrais, ganhando inestimável experiência. Paralelamente, lecionou improvisação em geral na J. D. S. School of Music, de Boston.
Em 1970 passou três meses de férias no Brasil, quando gravou dois LPs: um deles, "Victor Assis Brasil toca Antonio Carlos Jobim", que marca sua estréia em discos no sax soprano, foi editado imediatamente; o outro, intitulado "Esperanto", aguardou alguns anos para ver a luz do dia.
Regressando definitivamente ao Brasil em 1974, reativou sua carreira, liderando seus combos em apresentações em várias cidades. Nesse mesmo ano gravou um disco em concerto, no Teatro da Galeria. No ano seguinte escreveu 4 composições para a trilha-sonora da novela "O Grito", inclusive o tema-título. Em 1976 foi convidado pelo regente Marlos Nobre a apresentar, em primeira audição no Brasil, sua composição "Suíte Para Sax Soprano e Cordas" com a Orquestra Sinfônica Brasileira, na Sala Cecília Meireles, do Rio de Janeiro.
1977 representou um ano de muita atividade, incluindo concertos no Museu de Arte Moderna e na "Concha Verde", do Rio; uma das apresentações no MAM incluiu o flautista americano Jeremy Steig. Ainda em 77, foi convidado por Art Blakey a integrar os seus Jazz Messengers, porém foi obrigado a declinar o convite por não haver tempo hábil para contornar as exigências legais.
Em 1978 participou com inteiro êxito do Festival de São Paulo, quando entusiasmou público, músicos e críticos, entre eles Chick Corea, Joe Farrel e Leonard Feather; este último escreveu a seu respeito: "Victor Assis Brasil, um esplêndido saxofonista, não deixou que sua longa estada nos Estados Unidos confundisse seus valores, apresentando uma música firmemente plantada nos solos dos dois países. Seu "Love For Sale" recebeu um tratamento altivo, contagiante, jamais incerto em seu senso de direção".
A idéia deste disco nasceu durante as apresentações de Victor no Festival de São Paulo. Considerando que aquele grupo deveria ser perpetuado em discos, levei a idéia diretamente a Maurício Quadrio que a aprovou de imediato. Poucos dias depois Victor assinava contrato com a EMI-Odeon, e nas noites de 12 a 16 de fevereiro de 1979 o conjunto gravou este, que é seu primeiro disco nesse selo.
Uma das medidas acertadas do produtor Maurício Quadrio foi dar carta branca a Victor para que tocasse o que quisesse. A preparação do material temático — composições de Victor — ensaios, coordenação e demais detalhes foram providenciados em seu devido tempo.
Victor esquematizou todo seu trabalho e sabia exatamente o que pretendia apresentar. Este disco é o fruto de um amadurecimento artístico, uma afirmação qualitativa e a comprovação do talento de cinco músicos excepcionais.
Acompanhado por uma seção rítmica estimulante formada por Fernando Martins (piano), Paulo Russo (contrabaixo) e Ted Moore (bateria), Victor convidou o guitarrista Hélio Delmiro para esta realização.
Victor desenvolve uma atuação expressiva, criando em cada improvisação um clima apropriado ao contexto, estendendo através de suas frases uma torrente de idéias precisamente articuladas e superiormente construídas. No alto ou no soprano, a complexidade aparente de certas evoluções encerra uma lógica definida, cuja clareza resulta é aparente aos que compreendem seu vocabulário. Ele não é somente um improvisador de nível internacional, mas transcendendo a esse estágio para situar-se entre os criadores do jazz, um músico cuja experiência, inventiva e bagagem musical empresta a cada solo a marca indelével de sua individualidade, desenvolvendo idéias com forma, propósito e beleza estética.
Fernando Martins, pianista de larga experiência internacional, demonstra controle impecável, lógica e bom-gosto. Sua execução é calcada em linhas claramente articuladas da mão direita, com abundantes incursões repletas de imaginação e, nos andamentos moderados, líricos arabescos que denotam uma técnica irrepreensível. É um vasto talento que há muito merece um lugar de destaque.
O mesmo deve ser afirmado em relação a Paulo Russo, cuja sonoridade volumosa e escala de notas acrescenta aos acompanhamentos muito mais que simples figuras rítmicas. O antigo conceito de acompanhamento estático e passivo, limitado à marcação dos quatro tempos, não se coaduna num contexto dessa natureza, e Russo transforma seu instrumento em outra voz melódica do conjunto. Ele está presente em todos os momentos com uma pulsação ousada e vigorosa, porém profundamente musical, sublinhando atentamente todas as nuances dos solos em uníssono. O solo em Blues For Mr. Saltzman é um exemplo do seu domínio do instrumento e de sua concepção audaciosa.
Ted Moore é um percussionista com um total comando do tempo cujo bom-gosto complementa e embeleza cada episódio musical. Ted integra-se ao grupo com inteligência, mostrando-se um acompanhador sensitivo e contribuindo com acentuações oportunas para enfatizar os momentos mais expressivos dos solos, sublinhando habilmente cada frase, dando ao grupo o benefício de sua maleabilidade rítmica. Ted é um jovem baterista que conhece os fundamentos, a tradição e a utilização do instrumento integrado a seção rítmica.
Hélio Delmiro possui sobretudo técnica e expressa o pensamento musical com total interação mente/mãos. Sua sonoridade é pura, a hábil digitação combina flexibilidade e fluência e seus solos são desenvolvidos com direção e conteúdo. Músico que alcançou a maturidade após longo processo de absorção de influências, prática e aperfeiçoamento, é de uma rara consistência pela forma como controla suas linhas improvisadas. Estimulado pela companhia dos outros músicos, produz o melhor de suas capacidades criativas, corroborando as afirmativas de Larry Coryell, que o considera uma das maiores expressões mundiais em seu instrumento.
O som e a música do grupo refletem as idéias do líder. Em vez das exibições inconsequentes, os músicos fixam suas normas artísticas em perfeita consonância com forma, proporção, balanço e maturidade. O resultado é um elevado grau de emoção e intelecto, sem jamais afastar-se da espontaneidade de criação. Victor e seus músicos provam quando pode ser alcançado por artistas disciplinados numa situação de total liberdade. A criação espontânea, com imaginação, entendimento e bom-gosto — "distante dos ruídos do que se supõe ser o 'free jazz', quando anárquico" — mostra outras formas de tocar livremente, conservando as qualidades essenciais da música e abrindo amplas possibilidades a serem exploradas.
TEMA PRO EINHORN, com uma estrutura de 31 compassos que foge à padronização standard é uma homenagem ao grande Maurício Einhorn, um dos maiores improvisadores do mundo em seu instrumento. As linhas compostas, aparentemente similares, exigem virtuosismo para a sua execução. A "bridge", na exposição do tema, é improvisada. Victor, no soprano, projeta sua unidade de pensamento, pela convicção e segurança com que emite suas frases, de intensa e expressiva energia aplicada à interpretação. O solo de Hélio mantém o mesmo diapasão e força de expressão; a efetividade de sua improvisação funde a emoção e a clareza de pensamento. O uníssono soprano/guitarra, na recapitulação do tema, é admirável.
BALADA PA NADIA é uma interpretação em quarteto, sem piano. O alto de Victor foi superposto cinco vezes, formando um coral de saxofones na introdução e na exposição da linha da melodia. Sua improvisação, inspirada e com frases bem organizadas, revelam uma tonalidade majestosa, com uma atitude mista de acre sentimento e lamento expressivo. O acompanhamento de Hélio apóia efetivamente o alto. Paulo e Ted integram-se à performance sensitiva. Em nossa opinião, esta é uma das melhores atuações de Victor, sensível e expressiva, tocando outros ângulos da composição com lógica veemente. A coda é um perfeito fecho para esta peça emotiva. Victor possui uma gravação desta composição realizada por uma orquestra de estudantes de Berklee.
WALTZ FOR PHIL, óbvia homenagem a Phil Woods, é uma composição alegre e descontraída de linhas inúcuas, levada em andamento rápido. Victor desenvolve no alto, com seu fraseado liberto, um sentido de improvisação dos mais incisivos, com convicção e continuidade. O longo solo de Hélio, com frases que comprovam seu senso de organização, balança generosamente, num dos grandes momentos do disco em que o entrosamento guitarra/ritmo alcança níveis altíssimos. Após a reconstituição do tema, segue-se a coda e o "fade out", ambos em 5/4, com o último dando um efeito hipnótico à faixa.
BLUES FOR MR. SALTZMAN é dedicado ao contrabaixista norte-americano David Saltzman, amigo de Victor dos tempos da Berklee. É outro número de quarteto sem piano. A exposição alto/guitarra em uníssono, segue-se um solo fluente de Victor; a forma como coordena suas frases e a seqüência ininterrupta de idéias durante nove "choruses", indicam claramente a tranqüilidade com que ele supera a barreira do "chorus". Hélio mantém o mesmo diapasão durante seus "choruses", seguindo-se Paulo com três, exibindo sua apurada facilidade de execução. Victor e Ted trocam idéias durante um "chorus". O excelente suporte rítmico enseja a perfeita união solistas/ritmo.
A introdução de WALTZ FOR TRANE, composição que Victor escreveu após a morte de John Coltrane, o músico que mais tocou a sua sensibilidade, é uma progressão harmônica semelhante à estrutura de alguns solos do pranteado saxofonista. Victor mantém um clima de reflexão durante o seu solo; há mais que uma homenagem sincera nesta faixa, com a criação de um ambiente musical especial traduzido nas frases repletas de genuína paixão. Hélio improvisa motivos de rara beleza, sustentando o clima da execução. A seção rítmica contribui para expressar o caráter de intensa emoção desta interpretação.
LYDIAN DREAMS, com 33 compassos, tem a introdução de 8 compassos em andamento 6/4, que é mantido na primeira parte da composição. A segunda, em rubato e com uma cadência; a terceira, em 5/4 e a última em 3/4. É um número que destaca o solo de Fernando Martins, com uma mudança brusca para 2/4, seguindo-se uma seção em andamento mais rápido, com Ted em grande atuação; o solo de piano é excitante e com suas passagens soberbamente executadas. Victor, no soprano, constrói frases sobre um ebuliente acompanhamento rítmico, terminando com outro motivo em 3/4 e desacelerando em rubato; volta em 5/4 e a coda é em 3/4. A dificuldade desta peça, pelas alterações de andamento, constitui-se num desafio que os cinco músicos superam facilmente. Este disco representa, sem dúvida, uma etapa importante no panorama do jazz e da música instrumental no Brasil.
José Domingos Raffaelli
José Domingos Raffaelli é crítico de jazz no Jornal do Brasil, Diário do Paraná e Revista Som Três. Autor do livro "Miles Davis, Vida e Obra" (Edições Mundo Livre), correspondente da América Latina para "Jazz Discography".
Faixas
•TEMA PRO EINHORN
•BALADA Pa NADIA
•WALTZ FOR PHIL
•BLUES FOR MR. SALTZMAN
•WALTZ FOR TRANE
•LYDIAN DREAMS
Biografias
HELIO DELMIRO
(guitarra) é carioca, nascido em 20 de Maio de 1947. Um irmão, que toca piano e teclado de violão, influenciou seu gosto pela música. Aos 14 anos, entusiasmado pela bossa-nova, dedica-se inteiramente ao violão e inicia sua carreira tocando em bailes, do lado de profissionais. Tornou-se parte nas jam sessions do Clube Mackenzie e nas reuniões dominicais do Little Club, onde se conheceu, entre outros, Victor Assis Brasil. Em meados da década de 60 gravou com Miltinho, Doris Monteiro e os maestros Nelsinho e Carlos Monteiro de Souza. Formou o conjunto "Fórmula 7", com Claudio Caribé, Márcio Montarroyos, Luizão e outros; com formação de terreno, o grupo gravou para a Odeon. Passou 3 anos com Elis Regina, gravando com a cantora e Tom Jobim nos Estados Unidos e participou de um especial para a TV com Michel Legrand.
Em 1970 tocou com Luiz Eça e os músicos estrangeiros Paul Horn, Jeremy Steig, Dave Grusin e Lalo Schifrin, sendo considerado pelo último o melhor guitarrista da América do Sul. Excursionou à Europa com a cantora Marlene.
Estudou algum tempo música erudita com o propósito de desenvolver sua técnica instrumental. Ganhou uma bolsa de estudos, por concurso, patrocinado por Sérgio Mendes, não pôde ir aos Estados Unidos em função dos compromissos artísticos assumidos. Acompanhou o desenvolvimento da música brasileira, produzindo os discos de Clara Nunes e João Nogueira, em 1975. Tocou em duo com Luiz Eça no Festival de Jazz de São Paulo, sendo considerado por Larry Coryell e Leonard Feather um artista de categoria internacional, confirmando pouco depois, ao viajar com Elizeth Cardoso ao Japão, quando foi contratado por uma gravadora local. De Março a Maio de 1979 percorre o Brasil com Milton Nascimento. Seu próximo projeto é um disco em duo com Victor Assis Brasil.
FERNANDO MARTINS
(piano) nasceu em Campos, Estado do Rio, em 29 de Abril de 1941. Faz parte de uma família de músicos. Sua mãe, que foi assistente de Magdalena Tagliaferro, iniciou-o em seu instrumento. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 8 anos. Aos 17, tocava em bailes e festas. Sempre ouviu música erudita e popular em geral; só mais tarde tornou contato com o jazz, ouvindo principalmente George Shearing, Oscar Peterson e Herbie Hancock. Seus pianistas favoritos é Keith Jarrett.
Estudou com João Carlos Assis Brasil, irmão de Victor. Incentivado por Luiz Eça, tornou-se profissional. Tocou com Moacyr Silva, Zé Keti, Radamés Gnattali, Paul Winter e no quinteto de Victor Assis Brasil, edição 1966. No ano seguinte viajou à Paris em busca de novos horizontes para sua carreira, tocando com Slide Hampton, Philly Joe Jones, Hank Mobley, Joe Henderson, Daniel Humair, Art Taylor, Stan Getz, Aldo Romano, Jean-François Jenny Clark e Baden Powell, entre outros. Gravou com o quarteto de Eddy Louis, Trio Camará (com os brasileiros Edison Lobo e Nelson Serra), quarteto de Grahann Moncur III, Chris-tine Legrand e tocando percussão e grupo. Le Masque (formado por ex-integrantes do conjunto vocal Double Six de Paris). Participou de vários musicais da TV francesa, inclusive como convidado de Sacha Distel. Apresentou-se nos festivais de Liège, em 1971 (num trio com o baixista Gus Nemeth), e de Munique em 1972.
Regressou ao Brasil em 1975, tocando com Paulo Moura, Nana Caymmi e, novamente, Victor Assis Brasil, com quem apresentou-se no festival de São Paulo, em Setembro de 1978.
Estudou com João Carlos Assis Brasil, irmão de Victor. Incentivado por Luiz Eça, tornou-se profissional. Tocou com Moacyr Silva, Zé Keti, Radamés Gnattali, Paul Winter e no quinteto de Victor Assis Brasil, edição 1966. No ano seguinte viajou à Paris em busca de novos horizontes para sua carreira, tocando com Slide Hampton, Philly Joe Jones, Hank Mobley, Joe Henderson, Daniel Humair, Art Taylor, Stan Getz, Aldo Romano, Jean-François Jenny Clark e Baden Powell, entre outros. Gravou com o quarteto de Eddy Louis, Trio Camará (com os brasileiros Edison Lobo e Nelson Serra), quarteto de Grahann Moncur III, Chris-tine Legrand e tocando percussão e grupo. Le Masque (formado por ex-integrantes do conjunto vocal Double Six de Paris). Participou de vários musicais da TV francesa, inclusive como convidado de Sacha Distel. Apresentou-se nos festivais de Liège, em 1971 (num trio com o baixista Gus Nemeth), e de Munique em 1972.
Regressou ao Brasil em 1975, tocando com Paulo Moura, Nana Caymmi e, novamente, Victor Assis Brasil, com quem apresentou-se no festival de São Paulo, em Setembro de 1978.
PAULO RUSSO
(contrabaixo) nasceu em 28 de Abril de 1950, no Rio de Janeiro. Seu pai deu-lhe um violão de presente e influenciado pela bossa-nova, começou o tocar de ouvido aos 11 anos. No início tocava com uns amigos, porém mais tarde fez parte de uma banda organizada pelo professor de música de sua escola, Jorge Melquior. Ainda menor de idade, entrava às escondidas nos clubes noturnos e boates para ouvir música. Passou a executar contrabaixo aos 16 anos, incentivado pelo saxofonista Zito Righi em seu primeiro trabalho como profissional. Tocou 3 anos com Righi, com quem fez sua estréia em disco. Acompanhou Levy Andrade, Pery Ribeiro, Nana Caymmi e outros cantores. Hélio Delmiro indicou-o a Victor Assis Brasil, atuando em seus grupos desde que regressou dos Estados Unidos. Começou no baixo elétrico, passando para o acústico em 1976, desenvolvendo rapidamente sua técnica.
Tocou ainda com Jeremy Steig, Steve Grossman, Paulo Moura, Hélio Celso e Hélio Delmiro. Impressionou o crítico Leonard Feather durante a apresentação do quarteto de Victor Assis Brasil no Festival de Jazz de São Paulo. Seus contrabaixistas favoritos são Ray Brown, Scott LaFaro e Eddie Gomez, que influenciaram seu estilo.
TED MOORE
(bateria) nasceu em 5 de Agosto de 1951, em Filadélfia, Estados Unidos. Pai e tio bateristas amadores despertaram-lhe o interesse pelo instrumento, começando a praticar aos 3 anos. Aprendeu piano na escola. Ingressou na Eastman School of Music, de Rochester, New York, onde estudou música clássica, composição e percussão; naquela escola tinha possibilidade de tocar todos os tipos de música com várias formações, um variado e típico aprendizado nessa área de ensino de seu país.
Formou um trio — "Petrus" — com dois colegas, atuando durante três anos, inclusive participando do Festival de Newport em 1973. Voltou à Eastman para intensificar seus estudos de percussão, atuando também com Stan Getz, Marian McPartland, Phil Woods, Chuck Mangione, Joe Williams e outros, como parte de um programa organizado na escola, intitulado "Arranger's Holiday", no qual os alunos organizavam orquestras que tocam e gravam com convidados.
Um contrato com a Orquestra Sinfônica Brasileira, em Outubro de 1977, possibilitou-lhe satisfazer seu interesse em conhecer extensivamente a música brasileira, especialmente a folclórica.
Interessado em todos os estilos musicais, assistiu a um concerto de Victor Assis Brasil e Luiz Eça na "Concha Verde". Dias encontrou-se com o saxofonista na rua, conversaram, marcaram um encontro, trocaram idéias e passaram a tocar juntos. Em Setembro de 1978 participou do Festival de Jazz de São Paulo com os grupos de Benny Carter e Victor Assis Brasil, ficando conhecido do público brasileiro.
Ele não compreende porque o público comparece aos concertos dos músicos norte-americanos, mas não prestigia as apresentações dos jazzmen nacionais. Espera que este disco mude esse estado de coisas, provocando maior interesse e estimulando outros músicos a tocarem jazz em nosso país.
Créditos
℗ 1979
31C 064 422844D
Estéreo
DISCO É CULTURA
EMI-ODEON: Fonográfica, Industrial e Eletrônica S.A.
C.G.C. 33.249.640.0004-31 – Indústria Brasileira
Produtor Fonográfico: EMI-ODEON Fonográfica, Industrial e Eletrônica
Direção de Produção: Maurício Quadrio
Produção Executiva: Eduardo Souto Neto
Gravação: Bill Horn
Mixagem: Nivaldo Duarte
Corte: Osmar Furtado
Coordenação de Arte: Tadeu Valério
Arte e Fotos: J. C. Mello e Wilton Montenegro
Ilustrações de J. C. Mello sobre fotos de Wilton Montenegro